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Investigação

Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15,8 milhões após operação da PF, mas negociação foi bloqueada

Arthur Vieira

O senador Jaques Wagner (PT-BA) teve uma tentativa de venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões impedida por um cartório da Bahia. A negociação foi iniciada em 19 de junho, um dia após o parlamentar ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações envolvendo o extinto Banco Master.

Na operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além da determinação de restrição de atividades econômicas do senador. Em razão da decisão judicial, bancos, órgãos públicos e cartórios foram comunicados para impedir movimentações patrimoniais, o que levou o 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari (BA) a bloquear a transferência do imóvel para a empresa Lagoons Empreendimentos, ligada ao Grupo City.

Segundo interlocutores do STF, esse tipo de comunicação é um procedimento padrão em investigações que envolvem bloqueio de bens. A defesa de Jaques Wagner afirmou que não houve irregularidade e sustentou que a negociação começou em 2024 e foi concluída em 2025.

De acordo com os advogados, o acordo previa a permuta do terreno por lotes do empreendimento, além do pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor que, segundo a defesa, foi devidamente declarado e tributado. A escritura pública teria sido lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como permuta.

Na decisão que autorizou a operação da PF, André Mendonça citou indícios de que Jaques Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao grupo investigado. Entre os benefícios apurados estariam o uso de aeronaves, pagamentos estruturados, vantagens financeiras e aquisições patrimoniais. A investigação segue em andamento.

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