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Flávio diz aos EUA que tarifa contra o Brasil fortaleceria Lula politicamente

Senador defende suspensão da medida e abertura de negociações bilaterais com o governo de Donald Trump

Arthur Vieira

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou ao governo dos Estados Unidos um documento no qual afirma que a manutenção das tarifas propostas sobre produtos brasileiros acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No texto enviado nesta quarta-feira (1º), Flávio sustenta que a taxação seria explorada pelo governo brasileiro como um ativo político e recomenda que a administração de Donald Trump suspenda a medida e inicie imediatamente negociações bilaterais sobre os setores afetados.

Segundo o parlamentar, a adoção das tarifas proporcionaria ao governo Lula “uma vitória política” ao mesmo tempo em que prejudicaria empresas norte-americanas e brasileiros interessados em ampliar a cooperação econômica entre os dois países. Para ele, a medida acabaria beneficiando justamente aqueles que deveriam ser responsabilizados.

O senador também argumenta que a proximidade das eleições presidenciais brasileiras torna inadequada a adoção de uma sanção econômica de grande impacto. Na avaliação de Flávio, a imposição das tarifas antes da votação poderia ser interpretada como uma tentativa de interferência externa no processo eleitoral, alimentando um sentimento contrário aos Estados Unidos. Por isso, defende que qualquer decisão seja adiada para depois da eleição.

Enquanto isso, o governo brasileiro também intensificou sua atuação junto às autoridades norte-americanas. Em manifestação encaminhada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, contestou a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

O USTR conduz uma investigação com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, que aponta supostas práticas desleais do Brasil em áreas como sistema de pagamentos, proteção à propriedade intelectual, corrupção e questões ambientais. A conclusão do processo está prevista para o próximo dia 15.

Na manifestação, Mauro Vieira argumenta que, mesmo que o órgão mantenha suas conclusões preliminares, a aplicação das tarifas não seria uma resposta adequada nem eficaz para corrigir as supostas irregularidades. Segundo o chanceler, a medida imporia custos elevados às empresas norte-americanas sem resolver os problemas apontados pela investigação.

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