Bebês trocados na maternidade: Justiça marca audiência decisiva
Crianças já convivem em regime de visitas enquanto famílias disputam guarda definitiva
O dia 21 de julho será decisivo para os bebês trocados na maternidade de Arapiraca. As famílias envolvidas vão apresentar propostas para resolver o impasse sobre a guarda das três crianças, sendo duas delas gêmeas. A Justiça já ampliou a convivência de José Bernardo com a família biológica e o irmão gêmeo, Gabriel. Os pais biológicos, Débora Maria e Suelson dos Santos, recebem a criança às 18h de sexta-feira e a devolvem às 17h de domingo, regime que as famílias já cumprem enquanto aguardam a decisão final.
Maria Aparecida, que criou José Bernardo em Craíbas ao lado de outros cinco filhos por mais de dois anos, diz ter forte laço afetivo com o menino e quer manter a guarda com convívio compartilhado entre as famílias. Já os pais biológicos dos gêmeos, que moram em São Sebastião, pedem judicialmente a guarda das três crianças para reuni-las no mesmo núcleo familiar.
O hospital foi condenado a pagar R$ 350 mil em indenizações por danos morais às duas famílias. A Justiça classificou o serviço como “manifestamente defeituoso”, já que a unidade não apresentou os registros biométricos obrigatórios das mães e dos bebês, e as pulseiras de identificação foram fixadas nos berços, não nas crianças. O pedido para que o hospital custeasse tratamento psicológico foi negado, e a defesa do hospital, que alegou interferência de terceiros, foi rejeitada por falta de provas.
A troca ocorreu em fevereiro de 2022, no Hospital Nossa Senhora do Bom Conselho, quando os bebês de Débora e Aparecida foram parar na UTI Neonatal por motivos médicos. O erro só foi descoberto em 2024, quando Débora viu nas redes sociais a foto de uma criança parecida com seu filho e exames de DNA confirmaram a troca entre José Bernardo e Guilherme.