O vereador de São Paulo Senival Moura (PT), preso nessa quinta-feira (25), é acusado de movimentar R$4,3 milhões em um esquema que usava uma empresa de ônibus para lavar dinheiro do tráfico de drogas da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). O petista alegou ser pobre para não pagar as custas de uma ação que o cobra por uma dívida de R$ 69 mil de IPTU. A ação foi movida em maio de 2022, uma semana depois do último pagamento da organização criminosa recebido por Senival Moura, monitorado pela Polícia Civil. Naquele ano, o vereador foi inscrito na lista da Dívida Ativa do município.
Senival Moura não pagou o IPTU entre os anos de 2006 a 2018 do imóvel em Guaianases, zona leste de São Paulo. Na ação o vereador alega que o imóvel está em área sujeita a enchentes, o que lhe daria direito a isenção ou remissão do imposto conforme a legislação municipal. Segundo a investigação da Polícia Civil, o vereador exercia o ''controle fático'' da Transunião Transportes S.A, empresa que acabou ganhando a concessão para operar 50 linhas de ônibus na zona leste de São Paulo. A empresa faz parte de uma estrutura financeira montada para lavar dinheiro de uma organização criminosa ''em tese vinculada ao Primeiro Comando da Capital.
O petista é apontado como o ''principal responsável pela instrumentalização'' da Transunião. A companhia passou por uma série de alterações societárias entre 2015 e 2019, com seu capital passando de R$ 100 mil para R$ 50 milhões, para se adequar à disputa pela concessão das linhas de ônibus. Em nota enviada à imprensa, o advogado de Senival Moura negou participação nos crimes e disse que a investigação irá demonstrar “a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”.