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Crime e política

“Salve” do PCC cita vereador do PT preso em operação contra esquema de lavagem de dinheiro

Arthur Vieira

As investigações que resultaram na prisão do vereador Senival Moura (PT), durante a Operação Carbono Oculto, revelaram um documento atribuído ao PCC (Primeiro Comando da Capital) que menciona o parlamentar e outros dirigentes ligados ao setor de transporte coletivo da capital paulista.

A carta, conhecida no universo da facção como “salve”, foi apreendida na residência de Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e detalha um suposto prejuízo de R$ 15 milhões relacionado à administração de uma empresa de ônibus. Segundo o documento, recursos que deveriam ter sido destinados a acionistas e operadores teriam sido desviados.

De acordo com o inquérito da Polícia Civil, o texto menciona declarações atribuídas a Adauto Soares Jorge, conhecido como “Finado”, assassinado em 2020. Antes de morrer, ele teria afirmado que apenas cumpria determinações de pessoas identificadas pelos apelidos de “Veio” e “Cabeça Branca”. Os investigadores apontam que os codinomes fariam referência ao vereador Senival Moura e ao diretor Leonel Moreira Martins. O documento afirma ainda que ambos teriam participado dos supostos desvios praticados dentro da empresa.

As apurações indicam que, apesar de não integrar formalmente o quadro societário da concessionária Transunião, Senival exerceria influência direta sobre decisões estratégicas da empresa, incluindo movimentações financeiras e gestão da frota. Mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram diretores submetendo pagamentos à autorização do “vereador”, do “veio” ou do “presidente”, segundo a investigação.

Relatórios produzidos pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro apontam ainda que o parlamentar movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022. Desse total, cerca de R$ 2,4 milhões teriam origem financeira não identificada pelos investigadores.

Outro trecho da carta menciona a realização de uma suposta “limpeza” na empresa para afastar pessoas consideradas de “má-fé”. Para a Polícia Civil, o conteúdo reforça a hipótese de que o assassinato de Adauto Soares Jorge tenha sido utilizado como forma de reafirmação de controle sobre a organização e suas atividades.

Com base nos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou o afastamento cautelar da diretoria da Transunião e comunicou a Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, para avaliar uma eventual intervenção na concessão. Apesar da operação e das medidas judiciais, a administração municipal informou que os serviços prestados pela empresa seguem funcionando normalmente, sem impactos aos usuários do transporte público.

Em nota, o Diretório Municipal do PT de São Paulo informou que encaminhou o caso à Comissão de Ética do partido, que poderá analisar medidas disciplinares, incluindo eventual afastamento cautelar ou expulsão do filiado, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório.

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