“Salve” do PCC cita vereador do PT preso em operação contra esquema de lavagem de dinheiro
As investigações que resultaram na prisão do vereador Senival Moura (PT), durante a Operação Carbono Oculto, revelaram um documento atribuído ao PCC (Primeiro Comando da Capital) que menciona o parlamentar e outros dirigentes ligados ao setor de transporte coletivo da capital paulista.
A carta, conhecida no universo da facção como “salve”, foi apreendida na residência de Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e detalha um suposto prejuízo de R$ 15 milhões relacionado à administração de uma empresa de ônibus. Segundo o documento, recursos que deveriam ter sido destinados a acionistas e operadores teriam sido desviados.
De acordo com o inquérito da Polícia Civil, o texto menciona declarações atribuídas a Adauto Soares Jorge, conhecido como “Finado”, assassinado em 2020. Antes de morrer, ele teria afirmado que apenas cumpria determinações de pessoas identificadas pelos apelidos de “Veio” e “Cabeça Branca”. Os investigadores apontam que os codinomes fariam referência ao vereador Senival Moura e ao diretor Leonel Moreira Martins. O documento afirma ainda que ambos teriam participado dos supostos desvios praticados dentro da empresa.
As apurações indicam que, apesar de não integrar formalmente o quadro societário da concessionária Transunião, Senival exerceria influência direta sobre decisões estratégicas da empresa, incluindo movimentações financeiras e gestão da frota. Mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram diretores submetendo pagamentos à autorização do “vereador”, do “veio” ou do “presidente”, segundo a investigação.
Relatórios produzidos pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro apontam ainda que o parlamentar movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022. Desse total, cerca de R$ 2,4 milhões teriam origem financeira não identificada pelos investigadores.
Outro trecho da carta menciona a realização de uma suposta “limpeza” na empresa para afastar pessoas consideradas de “má-fé”. Para a Polícia Civil, o conteúdo reforça a hipótese de que o assassinato de Adauto Soares Jorge tenha sido utilizado como forma de reafirmação de controle sobre a organização e suas atividades.
Com base nos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou o afastamento cautelar da diretoria da Transunião e comunicou a Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, para avaliar uma eventual intervenção na concessão. Apesar da operação e das medidas judiciais, a administração municipal informou que os serviços prestados pela empresa seguem funcionando normalmente, sem impactos aos usuários do transporte público.
Em nota, o Diretório Municipal do PT de São Paulo informou que encaminhou o caso à Comissão de Ética do partido, que poderá analisar medidas disciplinares, incluindo eventual afastamento cautelar ou expulsão do filiado, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório.