Sem vacina para variante rara, OMS inicia testes de terapias contra Ebola
Pesquisa será realizada em província mais afetada pelo atual surto
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que dará início, na próxima semana, a um estudo clínico para avaliar duas opções de tratamento contra o Ebola na República Democrática do Congo (RDC). O anúncio foi feito nessa quarta-feira (24) pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus. A pesquisa será realizada na província de Ituri, região mais afetada pelo atual surto, e deve contar com a participação de 500 a mil voluntários.
O surto, que também registra casos em menor escala em Uganda, é provocado pela variante Bundibugyo do vírus Ebola, considerada rara e sem vacina ou tratamento específico aprovado até o momento. Os pesquisadores irão testar o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir, tanto de forma isolada quanto combinada, para verificar se as substâncias conseguem reduzir a mortalidade entre os pacientes infectados.
Segundo a OMS, o estudo será conduzido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da RDC, a organização Alima e a Universidade de Oxford. De acordo com Tedros, toda a preparação necessária para o início dos testes já foi concluída.
Dados recentes da OMS apontam que a epidemia já soma 1.094 casos confirmados na RDC, com 277 mortes registradas, o que representa uma taxa de letalidade próxima de 25%. Especialistas alertam, no entanto, que o número real de infectados pode ser maior, já que muitas ocorrências acontecem em áreas remotas e afetadas por conflitos armados, dificultando o monitoramento completo da doença.