“Pulmão de pipoca”: doença irreversível ligada ao uso de cigarros eletrônicos acende alerta entre jovens
Bronquiolite obliterante é uma doença rara, irreversível e sem cura
O diagnóstico de um jovem de 24 anos reacendeu o alerta sobre os riscos associados ao uso de cigarros eletrônicos. Após dar entrada em um pronto-socorro com grave dificuldade para respirar, ele foi diagnosticado com bronquiolite obliterante, uma doença rara, irreversível e sem cura, popularmente conhecida como “pulmão de pipoca”.
Segundo os médicos, a condição teria sido provocada pelo uso contínuo de vape durante quatro anos. Os cigarros eletrônicos podem liberar substâncias químicas como o diacetil, composto capaz de causar inflamação e cicatrização dos bronquíolos, as menores estruturas responsáveis pela passagem de ar nos pulmões. Com o avanço do processo, as vias respiratórias podem se estreitar ou até colapsar, comprometendo permanentemente a capacidade respiratória.
O nome “pulmão de pipoca” surgiu nos Estados Unidos, nos anos 2000, após trabalhadores de fábricas de pipoca de micro-ondas desenvolverem a doença ao inalarem diacetil utilizado para reproduzir o sabor artificial de manteiga. O mesmo composto já foi identificado em diversos líquidos usados em cigarros eletrônicos.
O caso reforça a preocupação de especialistas com a popularização dos vaporizadores, especialmente entre os jovens. Embora a comercialização, importação e propaganda desses dispositivos sejam proibidas no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os produtos continuam sendo facilmente encontrados no mercado informal, muitas vezes sem qualquer controle sobre sua composição química ou seus potenciais efeitos à saúde.