Prejuízo investigado na Operação Watergate daria para construir cerca de 2 mil moradias populares, diz MP
O prejuízo superior a R$ 49 milhões apontado nas investigações da Operação Watergate seria suficiente para financiar a construção de aproximadamente duas mil moradias populares em Alagoas. A estimativa foi divulgada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), responsável pela operação que apura suspeitas de sonegação fiscal, fraudes tributárias e lavagem de bens envolvendo empresas do setor de água mineral.
Segundo o MP, os recursos que teriam deixado de ingressar nos cofres estaduais poderiam ser destinados a investimentos em áreas essenciais e à ampliação de políticas públicas voltadas à população.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Bens (GAESF), que identificou um suposto prejuízo superior a R$ 49 milhões relacionado a irregularidades atribuídas a um grupo econômico que atua na extração, engarrafamento e distribuição de água mineral.
De acordo com o coordenador do GAESF, promotor de Justiça Cyro Blatter, crimes contra a ordem tributária comprometem diretamente a capacidade de investimento do Estado e afetam principalmente a população mais vulnerável.
“As fraudes fiscais comprometem investimentos em áreas essenciais e afetam diretamente a população, especialmente os cidadãos em situação de maior vulnerabilidade social”, afirmou.
As apurações indicam que a empresa apontada como núcleo central do grupo acumula débitos de ICMS já inscritos em Certidões de Dívida Ativa que somam R$ 9,4 milhões. Além disso, há uma dívida administrativa em fase de apuração estimada em cerca de R$ 40 milhões.
Deflagrada nesta semana, a Operação Watergate cumpriu 15 mandados de busca e apreensão contra seis pessoas físicas e nove pessoas jurídicas. A Justiça também determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e ativos financeiros dos investigados para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Para o Ministério Público, a recuperação dos valores investigados é fundamental para reforçar investimentos públicos e ampliar ações voltadas ao desenvolvimento social no estado.