Deolane representa ‘nova face do PCC’, afirma promotor do Gaeco
Expressão é usada para descrever pessoas que estariam associadas à facção sem necessariamente integrarem formalmente sua estrutura criminosa
A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, realizada nessa quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, ganhou novos contornos após declarações do promotor do Gaeco de Presidente Prudente, Lincoln Gakiya. Em entrevista à CNN, ele afirmou que Deolane representaria uma “nova face do PCC”, expressão usada para descrever pessoas que, segundo as investigações, estariam associadas à facção sem necessariamente integrarem formalmente sua estrutura criminosa.
De acordo com o Ministério Público, a influenciadora é suspeita de exercer papel central em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. O relatório policial aponta que ela teria funcionado como um “verdadeiro caixa” da organização, supostamente movimentando recursos e dando aparência legal a valores atribuídos à facção. Gakiya afirmou que Deolane não seria uma integrante “batizada” do PCC, mas teria relevância estratégica para ocultação financeira por meio do uso irregular de contas particulares, acusações ainda sob investigação.
A Operação Vérnix também teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal liderança da facção e atualmente preso em penitenciária federal em Brasília. As investigações tiveram origem em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos encontrados na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que revelariam ordens internas do grupo, possíveis ataques contra agentes públicos e referências a uma “mulher da transportadora”. O desdobramento das apurações levou à identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis, ao uso de uma transportadora como suposto braço financeiro do esquema e, posteriormente, a conexões investigadas envolvendo Deolane.
As defesas contestam as acusações e alegam ausência de provas definitivas. O advogado de Marcola destacou que o caso ainda está na fase de inquérito policial, sustentado por indícios e suspeitas que precisam ser submetidos ao contraditório, além de considerar improvável que o detento continue comandando a facção da prisão. Já a família e a defesa de Deolane classificaram a prisão como desproporcional e denunciaram perseguição e julgamento antecipado pela opinião pública, afirmando confiar que a legalidade das atividades da influenciadora será demonstrada no decorrer do processo.