Deolane Bezerra é alvo de operação conduzida por promotor sob ameaça do PCC há duas décadas
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A ação é conduzida pelo promotor Lincoln Gakiya, considerado um dos principais alvos históricos da facção criminosa.
Segundo as investigações, Deolane é apontada como integrante do esquema investigado e teria mantido relações pessoais e negociais com pessoas ligadas ao núcleo financeiro apurado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo.
A operação foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com apoio da Polícia Civil, e cumpre seis mandados de prisão preventiva. Entre os alvos estão integrantes apontados como ligados à cúpula da organização, incluindo parentes de Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, que já se encontra preso, além de Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo.
À frente das investigações está Lincoln Gakiya, promotor que atua há mais de duas décadas no combate ao PCC e que, segundo investigações anteriores, teria sido colocado na lista de alvos prioritários da facção. Ele vive sob escolta permanente há cerca de dez anos e já foi alvo de diversos planos de ataque atribuídos ao grupo criminoso.
As apurações apontam que Deolane passou a ocupar posição central na terceira fase da investigação após a identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada, além de supostas conexões patrimoniais e empresariais sob análise.
Os investigadores afirmam ter identificado estruturas empresariais sucessivas, circulação de valores milionários, recebimentos sem origem considerada suficientemente esclarecida e utilização de bens de alto padrão que, segundo a linha investigativa, poderiam funcionar como mecanismos de ocultação patrimonial.
A Operação Vérnix também possui desdobramentos internacionais. Três investigados estariam fora do Brasil, em países como Itália, Espanha e Bolívia. Diante disso, a Polícia Civil solicitou inclusão dos nomes na Lista Vermelha da Interpol para localização e eventual cooperação internacional.
Após a prisão, a irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, divulgou nota afirmando que a medida representa perseguição e criticando o tratamento público do caso. A defesa sustenta que não há provas de envolvimento criminoso e afirma confiar no direito de defesa e no devido processo legal.
Até o momento, o Ministério Público e a Polícia Civil não divulgaram detalhes adicionais sobre eventuais denúncias formais ou desdobramentos judiciais da investigação.