Posse de Nunes Marques no TSE anima aliados de Bolsonaro e gera cautela no PT
Comando da Corte Eleitoral em ano de eleição é visto pelo PL como mais técnico, enquanto petistas temem redução no combate às fake news
A posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para esta terça-feira (12), movimenta os bastidores políticos em Brasília e provoca reações distintas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e integrantes do PT. Enquanto o Partido Liberal aposta em uma condução mais técnica e moderada da Corte durante as eleições de 2026, petistas demonstram preocupação com uma possível redução do rigor no enfrentamento à desinformação eleitoral.
Nunes Marques comandará o TSE ao lado do vice-presidente André Mendonça, ambos indicados ao Supremo Tribunal Federal por Bolsonaro. No entorno do PL, a avaliação é de que o ministro deve adotar uma postura mais “garantista” e menos intervencionista nas disputas eleitorais, sobretudo nas decisões relacionadas às redes sociais e à remoção de conteúdos digitais.
Aliados do ex-presidente enxergam o novo presidente da Corte como um magistrado de perfil técnico e distante de embates políticos. Nos bastidores, lideranças bolsonaristas afirmam esperar uma atuação diferente da registrada durante a gestão de Alexandre de Moraes no TSE, marcada por medidas duras contra fake news e ataques ao sistema eleitoral.
Já integrantes do PT admitem manter diálogo institucional com Nunes Marques, mas avaliam com cautela a mudança no comando da Justiça Eleitoral. O temor no partido é de que uma atuação menos incisiva abra espaço para a disseminação de conteúdos falsos durante a campanha, especialmente diante do avanço de ferramentas de inteligência artificial e da velocidade de circulação de informações nas redes sociais.
A preocupação petista tem como referência as eleições de 2022, quando o TSE, sob comando de Alexandre de Moraes, ampliou mecanismos de combate à desinformação, incluindo decisões para retirada imediata de conteúdos considerados falsos ou ofensivos, mesmo sem provocação direta das partes envolvidas.