Suspensão de produtos da Ypê vira tema de disputa política nas redes
Apoiadores de Bolsonaro afirmam que medida configura perseguição política contra a empresa
Na última quinta (7), a Agência Nacional de Vigilância (Anvisa) determinou a suspensão e recolhimento de lotes de detergentes, sabões líquidos e desinfentantes da marca Ypê fabricados na unidade de Amparo, em São Paulo. A medida foi adotada após a identificação de falhas na fabricação e pelo risco de contaminação microbiológica.
Porém, o que era para ser uma medida sanitária, visando a preservação da saúde e segurança dos consumidores, acabou se tornando um grande embate político nas redes sociais.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro acusaram o governo Lula de perseguição à marca Ypê. O que motivou as acusações foi o fato de integrantes da família que comanda a empresa de produtos de limpeza e higiene terem realizado uma doação de R$ 1 milhão para a campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022.
Influenciadores, políticos, celebridades e internautas passaram a publicar vídeos consumindo produtos da marca, realizando uma campanha informal de apoio à empresa. Entre as personalidades que se manifestaram estão o senador Cleitinho (Republicanos-MG), o deputado estadual de São Paulo Lucas Bove (PL), a cantora Jojo Todynho e o ator Júlio Rocha.
Além deles, o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Melo, compartilhou um vídeo lavando louça com o detergente da marca. O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, que acumula 3,8 milhões de seguidores no Instagram, reforçou a recomendação trocar os produtos dos lotes afetados, e classificou a situação como um "massacre" contra a empresa.
Por outro lado, órgãos de vigilância sanitária endossam o alerta e mantém a recomendação de não consumir produtos de lotes terminados com o número 1, atingidos pela decisão. A Ypê apresentou recurso administrativo e a Anvisa deve se reunir para decidir se mantém ou não a suspensão.