Os 10% mais ricos da população brasileira concentraram 40,3% de toda a renda do país em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O percentual supera, sozinho, a fatia acumulada pelos 70% mais pobres da população, que ficaram com 32,8% da massa de rendimentos.
O levantamento faz parte da Pnad Contínua de Rendimento de Todas as Fontes e considera não apenas salários, mas também aposentadorias, pensões, aluguéis, programas sociais e aplicações financeiras. Em 2025, a massa total de renda domiciliar per capita somou R$ 481,4 bilhões, dos quais R$ 193,9 bilhões ficaram concentrados entre os mais ricos.
Na prática, o cenário revela a persistência da desigualdade no Brasil. Em uma comparação simbólica, seria como dividir um bolo de 20 fatias entre 20 pessoas e apenas duas delas ficarem com oito pedaços.
O rendimento médio mensal dos 10% mais ricos foi estimado em R$ 9.117 por pessoa, valor equivalente a 13,8 vezes a renda média dos 40% mais pobres, que receberam R$ 663 por mês. Embora o indicador ainda esteja entre os menores da série histórica iniciada em 2012, houve aumento em relação a 2024, quando a diferença era de 13,2 vezes.
Segundo o IBGE, a desigualdade voltou a crescer porque a renda avançou mais rapidamente entre as camadas de maior poder aquisitivo. Enquanto os 10% mais ricos tiveram crescimento de 8,7% nos rendimentos em comparação com o ano anterior, os 40% mais pobres registraram alta de 4,7%.
“A renda cresceu para todas as classes. Não houve piora. Mas, no topo da pirâmide, os 10% da população de maior renda tiveram crescimento acima da média”, afirmou Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE.
Na média geral da população brasileira, a renda domiciliar per capita foi estimada em R$ 2.264 mensais em 2025, alta real de 6,9% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação.