“Os EUA e a Europa pararam de olhar para a America Latína, mas agora perceberam que também precisam de nós”, diz Lula após encontro com Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o cenário geopolítico mundial fez as grandes potências voltarem a enxergar a importância estratégica da América Latina.
Durante entrevista após o encontro realizado na Casa Branca, Lula criticou o distanciamento histórico dos Estados Unidos e da Europa em relação à região e defendeu o fortalecimento do multilateralismo econômico.
“Muitas vezes nós fazemos licitações internacionais para fazer uma rodovia, uma ferrovia, e os Estados Unidos não participam da licitação; quem participa são os chineses”, declarou o presidente brasileiro.
Lula afirmou que, durante anos, a América Latina foi tratada apenas sob a ótica da segurança e do combate ao narcotráfico.
“Durante um bom tempo, tanto os Estados Unidos deixaram de olhar para a América Latina, só olhavam com o olhar de combate ao narcotráfico, como a União Europeia deixou de olhar para a América Latina”, disse.
Segundo o presidente, o atual contexto internacional, marcado por crises econômicas, disputas comerciais e tensões geopolíticas, recolocou a região no centro das atenções globais.
“Agora as pessoas perceberam a importância outra vez da América Latina nesse mundo conturbado”, afirmou.
Lula também citou os acordos comerciais firmados e negociados pelo Mercosul com outros mercados internacionais, como União Europeia, Canadá, Japão, Singapura e países da EFTA, defendendo uma política de integração econômica mais ampla.
“Isso dá uma dimensão de defesa do multilateralismo contra o unilateralismo colocado em prática pelas taxações do presidente Trump”, declarou.
O encontro entre Lula e Trump durou cerca de três horas e contou com ministros dos dois governos. Após a reunião, Trump classificou a conversa como “muito produtiva” e afirmou, em publicação nas redes sociais, que os dois países continuarão discutindo comércio, tarifas e cooperação estratégica nos próximos meses.