“A comunidade sabe e os policiais não sabem?”, diz MP ao apontar contradições no caso Davi
O julgamento do caso Davi da Silva seguiu nesta terça-feira (5) com novos embates entre acusação e defesa, marcados por questionamentos sobre contradições nos depoimentos dos réus e de testemunhas. Durante a apresentação, o Ministério Público destacou inconsistências nas versões apresentadas pelos policiais militares acusados.
Ao rebater a linha de defesa, o promotor chamou atenção para o reconhecimento da guarnição por parte da comunidade e de testemunhas, em contraste com a alegação dos réus de desconhecimento. “A comunidade sabe e os policiais não sabem?”, questionou, ao mencionar que moradores relataram a presença de uma viatura da Radiopatrulha com características específicas, como o símbolo de um pitbull.
O promotor também ressaltou que integrantes da própria corporação afirmaram anteriormente que todas as viaturas da Radiopatrulha possuem identificação padronizada, o que, segundo ele, reforça as contradições nos depoimentos dos acusados ao alegarem não se lembrar de detalhes básicos.
Outro ponto abordado foi o reconhecimento feito por Raniel, testemunha-chave do caso, que identificou integrantes da guarnição em depoimento. A acusação destacou que ele só se sentiu seguro para falar quando estava sob proteção, e lembrou que o jovem foi morto pouco tempo depois.
Durante a explanação, o Ministério Público ainda criticou a forma como testemunhas teriam sido ouvidas ao longo do processo, apontando possível intimidação. Segundo a acusação, o contexto em que alguns depoimentos foram colhidos poderia ter influenciado as respostas.
A sessão também relembrou episódios ocorridos após o desaparecimento de Davi, como protestos da comunidade e a reação policial, além de declarações atribuídas a uma das acusadas à época dos fatos.
O julgamento segue com a análise das provas e dos depoimentos apresentados, com expectativa de avanço nas próximas etapas do júri.