Exército se prepara para guerra do futuro e quer 20% de tropas em prontidão
O Exército Brasileiro avança na reformulação de sua estrutura para enfrentar os desafios dos conflitos contemporâneos e das chamadas guerras do futuro. Um novo plano de transformação, já formalizado por portaria do comandante Tomás Paiva, estabelece diretrizes estratégicas que incluem mudanças na organização da força, na doutrina militar e na capacitação de tropas.
O documento faz parte de um diagnóstico de instabilidade global, com aumento de tensões geopolíticas, expansão de conflitos armados e corrida por investimentos em defesa. Nesse cenário, a avaliação interna é de que o Brasil precisa modernizar suas capacidades e fortalecer sua base industrial militar para não ficar dependente de um mercado internacional cada vez mais pressionado.
Entre os principais pontos da reformulação está a meta de manter ao menos 20% das tropas em elevado nível de prontidão. A medida busca garantir resposta rápida a eventuais ameaças externas, com forças aptas a se deslocar e atuar em qualquer região do país. A estratégia é definida como uma forma de “dissuasão assimétrica”, voltada a compensar possíveis desvantagens em relação a adversários mais bem equipados.
Na prática, cinco das 25 brigadas operacionais devem assumir esse perfil de pronta resposta, incluindo unidades especializadas como a Brigada Paraquedista, a Aeromóvel e tropas com atuação em áreas estratégicas como a Amazônia e regiões de fronteira.
O plano também reorganiza o emprego das forças em quatro eixos: atuação imediata, prontidão, emprego continuado e operações em multidomínio, incorporando tecnologias emergentes, como sistemas não tripulados e inteligência baseada em dados. A diretriz reflete a leitura de que a superioridade informacional, mobilidade e precisão serão decisivas nos conflitos futuros.
Além da modernização tecnológica, o Exército aponta a necessidade de ampliar investimentos e fortalecer a indústria nacional de defesa, diante da dificuldade crescente de acesso a equipamentos e munições no mercado global. As diretrizes devem ser debatidas ao longo do ano e incorporadas ao planejamento estratégico da força para o próximo ciclo.