“Eu quero justiça e poder enterrar meu filho de maneira digna”, diz pai de Davi Silva antes de julgamento
Em vídeo, pai faz apelo por respostas quase 12 anos após desaparecimento do adolescente
Minutos antes do início do julgamento dos policiais acusados pelo desaparecimento de Davi Silva, o pai do jovem fez um desabafo emocionado pedindo justiça e, principalmente, o direito de enterrar o filho.
“Eu quero justiça e poder enterrar meu filho de maneira digna”, disse. No apelo, ele também pediu que os envolvidos revelem o paradeiro do corpo. “Que devolvam ao menos os restos mortais para que eu possa dar um fim digno a ele”, afirmou.
O julgamento teve início nesta segunda-feira (4), no Fórum do Barro Duro, em Maceió, quase 12 anos após o desaparecimento do adolescente, que tinha 17 anos quando foi visto pela última vez, em 2014, após uma abordagem policial no Benedito Bentes.
De acordo com as investigações, Davi teria sido torturado, morto e teve o corpo ocultado. Quatro réus — três policiais militares e uma ex-integrante da corporação — respondem por tortura, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
O caso se arrastou por anos na Justiça, com sucessivos adiamentos. A demora aumentou a dor da família, especialmente após a morte da mãe do jovem, em 2025, sem ver o desfecho do processo.
O júri é acompanhado por familiares, movimentos sociais e entidades de direitos humanos, que tratam o caso como símbolo da luta por justiça em episódios de desaparecimento envolvendo agentes do Estado.