Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF; derrota é inédita para Lula
Placar foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis
O Senado Federal impôs, nesta quarta-feira (29), uma derrota sem precedentes ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. O placar foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, impedindo que o atual AGU alcançasse a maioria absoluta necessária de 41 votos. Trata-se da primeira vez, em 132 anos, que um nome indicado ao Supremo é barrado pelo plenário da Casa.
A articulação contrária reuniu forças da oposição, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, e também contou com a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O movimento evidenciou fissuras políticas e isolamento do governo em um momento decisivo, mesmo após a aprovação prévia de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde havia obtido 16 votos favoráveis.
A rejeição quebra um longo histórico de aprovações e só encontra precedente semelhante em 1894, no caso de Cândido Barata Ribeiro, cuja indicação não se consolidou. Agora, o Planalto terá que reavaliar sua estratégia e buscar um novo nome para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria para outubro de 2025.
Nos bastidores, o papel de Alcolumbre foi decisivo. O senador nunca escondeu a insatisfação com a escolha de Messias e defendia outro nome para o Supremo, o de Rodrigo Pacheco. Mesmo após tentativas de aproximação, incluindo um encontro na casa do ministro Cristiano Zanin, o apoio político não se concretizou.