Alta das passagens aéreas pressiona turismo em Alagoas e afeta competitividade
Especialistas do setor apontam que o aumento é reflexo direto da valorização do dólar, da alta do petróleo e do custo do querosene de aviação (QAV), que representa uma das maiores despesas operacionais das companhias aéreas
O aumento no custo das passagens aéreas volta a preocupar o setor turístico brasileiro e acende um alerta especialmente para destinos dependentes do lazer, como Maceió e o estado de Alagoas. Dados recentes apontam que o preço médio inflacionário das tarifas aéreas atingiu R$ 707,16 em março de 2026, registrando alta de 17,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No entanto, o valor divulgado representa uma média estatística de inflação do setor — e não necessariamente o preço real pago pelos passageiros em rotas turísticas estratégicas. Na prática, destinos de lazer, especialmente no Nordeste, convivem com tarifas significativamente mais elevadas, sobretudo em períodos de alta demanda, feriados e férias escolares.
Em Maceió, o cenário ganha relevância adicional por conta da forte dependência do turismo de lazer. Diferentemente de grandes capitais com demanda corporativa consolidada, a capital alagoana possui menor fluxo de viagens de negócios, o que reduz a ocupação aérea em períodos de baixa temporada e aumenta a vulnerabilidade às oscilações tarifárias.
Essa dependência faz com que o preço da passagem tenha impacto direto na decisão de compra do turista. Quando o custo do deslocamento sobe, destinos concorrentes passam a disputar o mesmo público em condições mais agressivas, principalmente aqueles com maior oferta aérea ou proximidade dos grandes centros emissores.
Especialistas do setor apontam que o aumento é reflexo direto da valorização do dólar, da alta do petróleo e do custo do querosene de aviação (QAV), que representa uma das maiores despesas operacionais das companhias aéreas. Como grande parte da estrutura de custos é dolarizada, o repasse ao consumidor torna-se inevitável.
Para destinos turísticos como Maceió, o debate vai além do valor da passagem. O cenário exige uma atuação mais estratégica do Governo de Alagoas, com políticas de incentivo, subsídios e parcerias junto às companhias aéreas para conter o avanço tarifário e preservar a competitividade do destino. Em um mercado fortemente dependente do turismo de lazer, ampliar a conectividade aérea e estimular segmentos complementares, como eventos e negócios, torna-se fundamental para reduzir a sazonalidade e equilibrar a demanda ao longo do ano.