Generais presos por trama golpista apostam em leitura para reduzir penas
Para cada livro lido e validado por uma comissão, o preso pode ter quatro dias a menos na pena, limitando-se a 48 dias por ano.
Uma rotina de leituras, associadas à elaboração de resenhas escritas de próprio punho. Assim tem sido o dia a dia dos oficiais generais presos por participação na tentativa de golpe de Estado. Em busca da remição da pena, ao menos três deles têm recorrido a projetos de incentivo à leitura para diminuir o tempo na cadeia. Tudo conforme previsto na legislação que trata de execuções penais.
Para cada livro lido e validado por uma comissão, o preso pode ter quatro dias a menos na pena, limitando-se a 48 dias por ano. Todos os trabalhos entregues recebem uma nota que vai de zero a dez. Para “ser aprovado” é necessário alcançar o mínimo de seis pontos.
São avaliados itens como “descrição da obra”, “síntese do conteúdo”, “avaliação crítica” e “uso da língua portuguesa”. O conteúdo dos livros varia de acordo com o local em que a pessoa está presa. O general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, por exemplo, que cumpre pena no Comando Militar do Planalto, está lendo "Vidas Secas" - romance de Graciliano Ramos.
Já o general Walter Braga Netto, preso na Vila Militar do Rio de Janeiro, tem dedicado o tempo à leitura de obras religiosas. Além da bíblia, o oficial tem em mãos o livro “Uma Vida Com Propósitos - Por Que Estou na Terra?”, de Rick Warren. Foi um presente recebido do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).