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Emendas bilionárias

Grupo liderado por Hugo Motta concentra R$ 1,5 bilhão em emendas e levanta críticas na Câmara

Arthur Vieira

Um grupo de sete deputados federais, liderado por Hugo Motta (Republicanos-PB), concentrou a indicação de R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão ao Orçamento em 2025, cerca de 20% dos R$ 7,5 bilhões distribuídos por esses colegiados. O montante chama atenção porque representa uma fatia expressiva controlada por apenas 1,4% dos parlamentares da Câmara.

Enquanto isso, os demais R$ 6 bilhões foram divididos entre outros 423 deputados, e 83 não registraram indicações formais. As emendas de comissão são propostas pelos colegiados do Congresso para direcionar recursos públicos, cabendo ao Executivo decidir sobre sua execução, sem poder alterar o destino definido.

A concentração só pôde ser mensurada após decisão do Supremo Tribunal Federal, que determinou maior transparência sobre esse tipo de recurso,  antes classificado como “orçamento secreto”. Com a mudança, passou a ser possível identificar os parlamentares responsáveis pelas indicações.

O deputado Júlio Arcoverde lidera o ranking individual, com R$ 244,3 milhões indicados. Em seguida aparece Hugo Motta, com R$ 180,5 milhões, parte deles destinada a municípios politicamente alinhados ao seu grupo na Paraíba. Já Marcos Pereira figura logo depois, com R$ 138,2 milhões.

Além desses nomes, lideranças partidárias de siglas como PP, União Brasil, Republicanos e PL concentraram mais de R$ 930 milhões em indicações feitas em nome das bancadas, modelo criticado por permitir ocultar o verdadeiro autor das emendas, em possível afronta a decisões recentes do STF.

Nos bastidores, parlamentares relatam insatisfação com a disparidade na distribuição. Segundo eles, havia um acordo informal para divisão mais equilibrada, com valores próximos entre os deputados da base. Na prática, porém, um grupo restrito teve acesso a cifras muito superiores, o que pode influenciar o cenário eleitoral de 2026.

A presidência da Câmara afirma que a divisão segue critérios definidos entre partidos e respeita acordos institucionais, priorizando áreas como saúde e infraestrutura. Ainda assim, a concentração de recursos e os mecanismos de indicação seguem no centro do debate sobre transparência e equidade no uso do orçamento público.

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