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Novela das Frutas

Moranguete e Abacatudo: Especialistas alertam os perigos das "novelas das frutas" geradas por IA

O maior alerta, no entanto, é sobre o impacto no público jovem. Sem uma classificação indicativa que oriente pais e responsáveis, crianças e adolescentes ficam expostos a narrativas que incluem sexualização, manipulação emocional e relações tóxicas

Amanda Cirilo

Vídeos curtos gerados por inteligência artificial, conhecidos como "novelas das frutas", dominaram as redes sociais no início de 2026 e acumulam milhões de visualizações diárias no TikTok e no Instagram. Apesar do visual infantilizado de personagens como “Moranguete e Abacatudo”, as produções abordam temas pesados como traições, relacionamentos abusivos e violência, sem passar por nenhum tipo de classificação indicativa formal. É justamente esse contraste que preocupa especialistas.

Para Ciane Lopes, estrategista em marketing digital e professora de pós-graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais da Estácio, o formato é praticamente feito sob medida para viralizar. "Elas possuem em sua maioria uma narrativa muito curta e também um gancho emocional muito forte", explica. A combinação de baixo custo de produção, alta frequência de publicação e otimização para retenção faz com que o algoritmo das plataformas impulsione esse tipo de conteúdo de forma acelerada.

O maior alerta, no entanto, é sobre o impacto no público jovem. Sem uma classificação indicativa que oriente pais e responsáveis, crianças e adolescentes ficam expostos a narrativas que incluem sexualização, manipulação emocional e relações tóxicas. "A gente pode sim ver muitas pessoas normalizando comportamentos que são nocivos, com dificuldade de distinguir ficção de realidade e o consumo compulsivo", alerta Lopes.

Uma resposta legal começa a tomar forma com a entrada em vigor do novo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) digital, em março de 2026, que obriga as plataformas a implementarem verificação de idade e a restringirem mecanismos viciantes como a rolagem infinita. Ainda assim, especialistas reforçam que a legislação sozinha não é suficiente e que o papel das famílias é fundamental para um consumo mais consciente.

Diante desse cenário, Lopes destaca que o senso crítico se torna a principal ferramenta do usuário. "É realmente a capacidade de olhar para algo, questionar e evitar estar em bolhas que confirmam as nossas ideias, para que a gente não seja afetado, inclusive na nossa forma de pensar, por esses conteúdos todos", conclui a professora.


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