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Por que os EUA querem a Groenlândia e quem pode defender a ilha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que deseja obter o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. A Casa Branca confirmou que o tema está em discussão, inclusive com a análise de opções extremas, o que provocou reação imediata de líderes europeus e do Canadá. A principal razão é estratégica. Localizada entre a América do Norte e a Europa, a Groenlândia ocupa a rota mais curta para sistemas de alerta contra mísseis balísticos e é peça-chave na vigilância do Ártico, região cada vez mais militarizada por EUA, Rússia e China. Washington também vê valor nos recursos naturais da ilha, como minerais estratégicos, petróleo e gás, além da possibilidade de reduzir a dependência de insumos chineses. Os EUA já mantêm presença militar permanente na base aérea de Pituffik, no noroeste da ilha. Um acordo firmado em 1951 com a Dinamarca autoriza os americanos a operar e construir instalações militares no território, desde que as autoridades dinamarquesas e groenlandesas sejam notificadas. Na prática, Copenhague depende da Otan e do apoio dos EUA para garantir a defesa da região. As declarações de Trump elevaram a tensão diplomática. Dinamarca e Groenlândia pediram diálogo urgente com Washington, enquanto França, Alemanha, Polônia e Canadá manifestaram apoio à soberania da ilha. Uma eventual ação unilateral dos EUA contra um aliado histórico causaria forte abalo dentro da Otan. A Groenlândia é território dinamarquês desde 1953 e conquistou ampla autonomia em 2009, incluindo o direito de declarar independência por referendo. Pesquisas indicam que a maioria da população apoia a independência, mas há receio de que um rompimento rápido com a Dinamarca deixe a ilha vulnerável a pressões externas, especialmente dos Estados Unidos. Com apenas 57 mil habitantes, economia baseada na pesca e forte dependência de subsídios dinamarqueses, a Groenlândia segue no centro de uma disputa geopolítica que vai além de suas fronteiras e pode redefinir o equilíbrio de forças no Ártico.  
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