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Articulação do governo e resistência do Centrão podem dificultar votação da anistia

A votação da urgência do projeto de lei que concede anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, prevista para esta quarta-feira (17), enfrenta resistência e indefinições na Câmara dos Deputados. Embora há algumas semanas o resultado favorável fosse considerado certo, a atual conjuntura política indica que a oposição pode não alcançar os 257 votos necessários para que a proposta seja apreciada diretamente no Plenário.

O governo federal atua fortemente contra a aprovação da anistia. Segundo fontes do Planalto, a articulação política está mapeando as indicações de deputados para cargos na administração federal e cobrando fidelidade daqueles que já receberam benefícios. Além disso, o Executivo oferece emendas extras, via orçamento discricionário, como forma de influenciar votos em negociações decisivas.

Outro fator de dificuldade vem do próprio Centrão. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, quer manter no texto a anistia ampla e geral, incluindo a reabilitação da inelegibilidade do ex-presidente, enquanto outras siglas defendem alterações que reduzam o desgaste institucional e judiciário. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também já sinalizou que a aprovação de uma anistia ampla poderia gerar conflito com o Supremo Tribunal Federal (STF), aumentando o risco de desgaste político.

Com a aproximação da votação, a articulação política do governo e os interesses conflitantes dentro do Congresso tornam o cenário imprevisível, mostrando que a anistia, que parecia certa há semanas, agora enfrenta obstáculos importantes no caminho para aprovação.

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