“PCC já pode ser classificado como uma organização mafiosa”, diz promotor
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, com mais de 20 anos de atuação no GAECO de Presidente Prudente, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) “já pode ser classificado como uma organização mafiosa”. Segundo ele, a facção não depende mais da ostentação de violência e do exibicionismo com fuzis; atualmente, foca na movimentação financeira, principalmente no tráfico internacional de cocaína para a Europa.
Gakiya destacou que o PCC evoluiu na forma de infiltração na economia formal. “Antigamente, montava empresas de fachada, mais simples de detectar. Agora, as empresas são lícitas, têm funcionários, prestam serviços reais e possuem capital da facção. É muito difícil dimensionar em que negócios o PCC está. É mais fácil dizer em qual ramo da economia ele não está”, afirmou, comentando a recente megaoperação para desarticular um esquema criminoso no setor de combustíveis.
O promotor alertou ainda para o risco de o Brasil se tornar um narcoestado nas próximas décadas caso não sejam tomadas medidas eficazes. “Estamos em um processo de formação, que pode levar duas ou três décadas, de um Estado paralelo, de um narcoestado, se nada for feito. O crime organizado está num crescimento exponencial, e ninguém sabe onde isso vai chegar se não mudarmos a estratégia atual”, disse.
Para combater essa ameaça, Gakiya defende a criação de uma agência antimáfia, composta por todas as instituições, inspirada em modelos internacionais, como o italiano. “O PCC já é uma organização mafiosa. Precisamos de um órgão conjunto, não apenas do Ministério Público, para enfrentar o crime de forma estruturada e eficiente”, concluiu.