Logo
Dólar 4,97
Euro 5,82
Algumas nuvens Maceió: 26º
Geral

Academia do Povo muda rotina de jovem neurodivergente com esporte e acolhimento

A prática de atividades físicas pode ser uma grande aliada no desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Além de promover benefícios físicos, como melhora da coordenação motora, o esporte também contribui para o bem-estar emocional, a socialização e o aumento da autoestima. Com as adaptações ideais e o olhar atento dos profissionais, o projeto Academia do Povo, da Secretaria Municipal de Esporte, se transformou em um espaço de inclusão e crescimento para jovens e adultos diagnosticados.

Na unidade localizada no coração da Serraria, o esporte ganhou um novo significado na história de Dilson Tenório Neto, de 20 anos, e de sua mãe, Leila Tenório. Este é um exemplo de como o esporte pode ser um poderoso aliado no desenvolvimento de indivíduos com TEA. No caso de Dilson, a inclusão no esporte tem se mostrado fundamental, não apenas para a melhora do condicionamento físico, mas também para o fortalecimento da saúde mental e emocional. Autista de nível 2, o jovem conta que encontrou na musculação uma forma de superar as dificuldades da rotina e da interação social.

Dilson foi diagnosticado com autismo aos 7 anos, depois de uma infância marcada por dificuldades de adaptação, isolamento social e incompreensão tanto de familiares quanto de profissionais da saúde e educação. Sua trajetória escolar foi repleta de desafios, sendo muitas vezes taxado como "diferente". No entanto, a virada na sua vida começou quando ele se envolveu em um projeto de natação e basquete adaptado, em uma escola da capital, onde descobriu o prazer pelo esporte. Essa experiência foi essencial, mas foi na Academia José Tenório, lançada posteriormente, que ele realmente se encontrou.

"Quando estou na academia, me sinto mais leve, calmo, e minha ansiedade diminui. O esporte me ajuda a controlar meu humor e a melhorar minha postura, literal e metaforicamente, diante das adversidades da vida". Ele frequenta a academia de três a quatro vezes por semana, e essa rotina se tornou sua principal terapia.

Leila Tenório, mãe de Dilson, é o alicerce emocional do filho. Ela lembra que, apesar de ter sido um filho muito esperado, as dificuldades começaram logo após seu nascimento. "Quando ele era bebê, eu percebi que algo estava diferente, mas o diagnóstico demorou a chegar. Sempre busquei ajuda, e quando ele finalmente foi diagnosticado, foi um alívio, mas também uma surpresa", conta Leila.

O autismo de Dilson, no entanto, não foi encarado como um obstáculo, mas como um ponto de partida para buscar alternativas que o ajudassem a se desenvolver. Leila ressalta a importância da academia na vida do filho, principalmente na superação da depressão profunda que ele enfrentou na adolescência, depois de concluir a escola e bagunçar a rotina. "A terapia sozinha não resolve, e foi o esporte que estabilizou a saúde mental dele. A academia se tornou a principal terapia do Dilson, onde ele encontrou novos amigos e se livrou do quadro depressivo", afirmou a mãe.

Leila compartilha que quando o filho está agitado, ou passando por uma mudança de rotina, a solução sempre está no movimento. "Eu o levo para a academia, fazemos caminhadas, meditamos juntos. Isso ajuda a acalmá-lo e a equilibrar suas emoções."

Receba notícias em seu WhatsApp
Participe da nossa comunidade