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Marcos do Val enviou mensagens de reuniões fictícias para enganar a Polícia Federal

Ao extrair mensagens arquivadas no telefone celular do senador Marcos do Val (Podemos-ES), entregue pelo parlamentar à Polícia Federal (PF) durante depoimento prestado em fevereiro passado, os policiais constataram que ele tinha o costume de enviar mensagens “não solicitadas e sem sentido” a seus contatos. Segundo fontes do caso, era uma forma de criar álibis ou montar acusações forçadas, já considerando que o aparelho poderia ser apreendido.

Há mensagens assim envolvendo, inclusive, o plano golpista que, no início do ano, ele disse publicamente ter arquitetado junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A confusão feita por Marcos do Val, ao que tudo indica, de propósito, dificulta até mesmo uma conclusão sobre o real nível de envolvimento de Bolsonaro na trama golpista relatada pelo senador. “A análise dos dados poderia tanto levar à conclusão de que Bolsonaro é totalmente culpado ou inocente”, disse uma fonte a par do esquadrinhamento feito pela PF nas mensagens encontradas no celular do parlamentar.

Marcos do Val relatou um suposto plano no qual ele tentaria gravar inconfidências do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante uma reunião privada para, depois, usar a gravação como argumento para anular as eleições. Na ocasião, o senador afirmou ter discutido previamente a estratégia com o próprio Bolsonaro.

De acordo com uma fonte ligada ao caso, disse ter recebido dele uma mensagem agradecendo por uma suposta reunião ocorrida no dia anterior. Só que o encontro nunca existiu. “As pessoas já sabiam da prática e nem respondiam”, disse a fonte.

As mudanças bruscas em declarações públicas, que contrastavam inclusive com as que foram prestadas no depoimento à PF logo após a entrevista sobre o plano golpista, levaram os investigadores a acreditar que Marcos do Val estava atrapalhando as investigações de forma consciente.

O senador afirmou ter conversado diretamente com Jair Bolsonaro sobre o plano para gravar Moraes, no que seria uma estratégia para anular as eleições vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva. Numa segunda versão, logo depois, ele afirmou que Bolsonaro teria ficado calado na conversa e que coube ao ex-deputado federal Daniel Silveira tratar dos detalhes do plano. Marcos do Val é investigado por vários crimes, como divulgar documentos sigilosos e tentar abolir o Estado Democrático de Direito ao participar do suposto plano golpista.

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