CONTRADIÇÃO: Após assinar acordo com Braskem, Alfredo Gaspar pede punição à mineradora
O deputado federal por Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça, usou a tribuna da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (15), para propor aos seus pares algo surpreendente e inusitado: a criação de uma comissão externa na Câmara para fiscalizar os danos sociais, ambientais e econômicos causados pela Braskem, no desastre que causou o afundamento do solo de cinco bairros de Maceió.
A propositura, por si só, até que se justificaria pela necessidade de acompanhamento e punição aos procedimentos irresponsáveis de extração de sal-gema realizados durante décadas e que hoje se configuram como uma ação criminosa da Braskem, que prejudicou diretamente a vida dos moradores e comerciantes após os tremores registrados em bairros como Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol.
O que chama atenção nisso tudo, e não é preciso voltar muito no tempo para relembrarmos, é que Alfredo Gaspar de Mendonça – à época Procurador Geral de Justiça de Alagoas – foi peça fundamental para a oficialização de um acordo com a Braskem que em nada agradou aos cidadãos que tiveram seus sonhos e projetos de vida destruídos pela empresa. Na ocasião, o então representante máximo do Ministério Público de Alagoas chegou até a considerar como “positivo” o acordo firmado.
Segundo a maioria absoluta das pessoas afetadas, o acordo, classificado como “positivo” por Alfredo Gaspar, não atendeu às necessidades básicas dos moradores e comerciantes dos bairros atingidos. Muito pelo contrário, a queixa geral é que o termo chancelado pelo MPE e seu chefe maior trouxe benefícios somente à mineradora Braskem, que ganhou amparo legal para propor indenizações com valores abaixo do preço de mercado dos imóveis e sentiu-se à vontade para omitir-se à obrigação de realizar ações sociais voltadas aos quase 100 mil maceioenses prejudicados. Situações que potencializaram ainda mais a dor de quem sofreu e ainda sofre com as consequências dessa tragédia.
Passados mais de quatro anos do primeiro tremor de terra, a luta dos moradores dos bairros afetados ainda segue. Muita gente ainda não foi indenizada de maneira justa, outros perderam seus negócios e muitos sofrem com consequências que vão muito além do prejuízo financeiro. Não são poucos os casos de quem hoje convive e luta contra problemas como depressão, ansiedade e síndrome do pânico. Um “legado” deixado pela Braskem, chancelado por Alfredo Gaspar de Mendonça e hoje “combatido” pelo agora deputado federal.
Fica o questionamento: O que mudou? Em qual Alfredo Gaspar devemos acreditar?
Fonte:AL 102
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