Alagoas já carregou o estigma de ser uma terra marcada pelo coronelismo e por disputas de poder travadas entre famílias tradicionais do interior. Durante décadas, a violência de mando, quando um crime é encomendado por interesses políticos ou econômicos, assombrou o estado, mas havia sinais de que esse tipo de crime havia recuado. No entanto, nos últimos anos, episódios violentos reacendem o temor de que a prática esteja voltando a se enraizar em solo alagoano.
Nas últimas semanas, um novo caso ganhou repercussão: o vereador José Feliciano Lessa Leandro, conhecido como Pitú (PDT), de 60 anos, foi baleado dentro de uma casa em Campo Grande. A motivação do atentado ainda não foi esclarecida, e o parlamentar segue internado. Embora o caso ainda esteja em investigação, a tentativa de homicídio contra uma autoridade política levanta suspeitas sobre a existência de interesses ocultos por trás do crime.
Episódios anteriores reforçam esse cenário. Em 2020, o ativista Kleber Malaquias foi executado no dia de seu aniversário, em Rio Largo. Conhecido por denunciar irregularidades e fornecer informações ao Ministério Público, o crime foi apontado como execução política. Já o caso do universitário Fábio Acioli, sequestrado e queimado vivo, permanece sem uma conclusão satisfatória sobre o mandante. Mais recentemente, o assassinato do empresário Marcelo Dantas, pai de um ex-vereador, também levantou suspeitas de crime sob encomenda, embora a motivação ainda não tenha sido confirmada. Em todos esses casos, a figura do mandante segue invisível à justiça, o que preocupa a sociedade e enfraquece a sensação de segurança.
Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas não se manifestou oficialmente sobre o aumento dos crimes de mando.







