3 de fevereiro de 2026
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Veto de Lula amplia vantagem das SAFs e reacende debate tributário no futebol

Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES

O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a trechos da Reforma Tributária reabriu a disputa sobre a taxação dos clubes de futebol. A mudança criou uma diferença clara entre modelos de gestão. Clubes associativos passarão a pagar mais impostos que as Sociedades Anônimas do Futebol. A nova regra começa a valer em janeiro de 2027.

Pelo texto em vigor, clubes associativos como Flamengo, Fluminense, Corinthians e Palmeiras pagarão 15,5% sobre a receita bruta. As SAFs, modelo adotado por Botafogo, Vasco e Atlético-MG, terão carga de 6%. Hoje, associações são quase isentas e recolhem cerca de 5% ao INSS. Já as SAFs pagam 5% nos cinco primeiros anos e 4% depois.

Para especialistas, a diferença pode gerar desequilíbrio esportivo e financeiro. O economista César Grafietti afirma que a vantagem tributária das SAFs é direta. Segundo ele, pagar menos da metade dos impostos cria distorções no mercado. Na avaliação do especialista, o ideal seria a adoção de alíquotas iguais entre os modelos.

Durante a tramitação no Congresso, a alíquota das SAFs caiu de 8,5% para 4% após articulação de clubes e parlamentares. Houve também tentativa de equiparar a tributação dos associativos. Uma emenda nesse sentido chegou a ser incluída na votação final. Lula, porém, vetou o dispositivo e manteve a diferença.

Com o veto, clubes e parlamentares voltaram a se mobilizar em Brasília. Deputados e senadores defendem derrubar a decisão ou buscar uma saída negociada. O governo argumenta que a equiparação por lei complementar seria inconstitucional. Enquanto isso, o número de SAFs cresce no país, reforçando a tendência de incentivo ao modelo empresarial no futebol brasileiro.