23 de março de 2026
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Uso de drogas ilícitas dispara no Brasil e quase dobra em uma década, aponta estudo

O percentual de brasileiros que já experimentaram alguma droga ilícita saltou de 10,3% para 18,8% entre 2012 e 2023, segundo o III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), conduzido pela Universidade Federal de São Paulo. De acordo com a pesquisa, o avanço é impulsionado principalmente pelo aumento no consumo de maconha, tendência também observada em outros países ocidentais. Para a psicóloga Clarice Madruga, coordenadora do estudo, a mudança já era esperada diante da transformação na percepção social sobre os riscos da substância ao longo dos últimos anos.

O levantamento também aponta mudanças no perfil dos usuários, com destaque para o crescimento entre mulheres adultas. Nesse grupo, o uso de drogas ilícitas quase dobrou, passando de 7% para 13,9%. Segundo Madruga, a ideia de que a maconha pode aliviar ansiedade e estresse pode ter contribuído para o aumento, embora evidências científicas indiquem que o uso pode, na prática, elevar o risco de transtornos ansiosos. A pesquisa ouviu mais de 16 mil brasileiros com mais de 14 anos, em áreas urbanas e rurais, com metodologia sigilosa para garantir maior confiabilidade nas respostas.

Outro ponto de alerta é o consumo entre adolescentes e jovens. O estudo destaca que o acesso facilitado e a percepção de que a maconha é inofensiva elevam os riscos de prejuízos ao cérebro em desenvolvimento, afetando memória, aprendizado e controle de impulsos. Para a coordenadora, políticas públicas eficazes devem ir além do discurso de medo, com foco em educação, valorização de professores e ampliação de oportunidades culturais e esportivas. “Valorizar a educação é, sem dúvida, uma estratégia de prevenção bastante importante”, afirmou.