10 de janeiro de 2026
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União Europeia dá sinal verde a acordo com Mercosul e abre novo horizonte para exportações do agro brasileiro

Foto: reprodução.

Os países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A expectativa é de que o tratado seja assinado oficialmente no próximo dia 17, segundo o governo argentino. Para entrar em vigor, porém, o texto ainda precisará ser ratificado pelos congressos dos países sul-americanos.

O acordo é considerado estratégico para o Brasil, especialmente para o agronegócio, em um cenário de retração das vendas para os Estados Unidos após o tarifaço imposto em 2025 pelo então presidente Donald Trump. A União Europeia já é o segundo maior destino das exportações agropecuárias brasileiras, atrás apenas da China, e o tratado prevê a eliminação das tarifas de importação para 77% dos produtos agrícolas comprados do Mercosul, com prazos de redução que variam de quatro a dez anos.

Carnes e café estão entre os setores com maior potencial de ganho. No caso das carnes bovina e de frango, consideradas sensíveis pelos europeus, o acordo estabelece cotas de exportação com tarifas reduzidas ou zeradas, o que pode ampliar a competitividade do Brasil, maior exportador mundial desses produtos. Já o café solúvel e o torrado, que hoje enfrentam tarifas de até 9%, terão imposto zero em até quatro anos, aproximando o país das condições já concedidas a concorrentes como o Vietnã.

Apesar do avanço, produtores brasileiros demonstram preocupação com as salvaguardas aprovadas pela UE para proteger seu agro, que permitem a suspensão temporária de benefícios caso as importações afetem setores locais. Ainda assim, o acordo é visto como um passo histórico após mais de duas décadas de negociações iniciadas em 1999. Além de beneficiar o Mercosul, o tratado também favorece a União Europeia, que poderá ampliar exportações industriais e reduzir sua dependência da China em áreas estratégicas.