4 de março de 2026
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Relato de conselheira revela infância devastadora de jovem morto em jaula de leoa

O relato de uma conselheira tutelar sobre a trajetória de “Vaqueirinho”, jovem morto após invadir a jaula de uma leoa no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa, nesse domingo (30), emocionou o país nas últimas horas. Responsável por acompanhar o adolescente por oito anos, ela descreveu uma vida marcada por abandono, sofrimento e violações desde os 10 anos de idade, quando ele entrou pela primeira vez na sala do Conselho Tutelar.

No texto, a conselheira lembra episódios que evidenciavam o grau extremo de vulnerabilidade do menino. Um deles ocorreu quando ele tentou entrar no trem de pouso de um avião da Gol para, segundo dizia, “ir para um safári na África cuidar de leões”. A tentativa foi flagrada por câmeras de segurança, evitando que a tragédia acontecesse ainda na infância. Para a profissional, o comportamento do jovem era fruto de uma vida inteira sem amparo e afeto.

Ela relatou também que Gerson, nome real do jovem, foi encontrado sozinho pela PRF na BR quando tinha apenas 10 anos, e desde então passou a ser atendido pela Rede de Proteção. Destituído do poder familiar da mãe, que sofre de esquizofrenia, ele nunca pôde ser adotado como seus quatro irmãos. A avó, também com transtornos mentais, não tinha condições de cuidar dele. Ainda assim, segundo a conselheira, o maior desejo do menino era “voltar a ser filho da sua mãe”.

Encerrando o desabafo, a conselheira lamentou a forma como o jovem era rotulado nas redes sociais, muitas vezes reduzido ao histórico de conflitos com a polícia. “Eu nunca consegui ver você como as redes sociais te pintavam. Conheci a criança vulnerável que ninguém quis enxergar. Mas a sociedade, sem conhecer sua história, preferiu te jogar na jaula dos leões”, escreveu. O relato reacendeu o debate sobre abandono institucional, saúde mental e falhas no sistema de proteção à infância.