14 de março de 2026
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Redução da jornada 6×1 amplia pressão por nova desoneração

O avanço no Congresso de propostas que preveem o fim da escala 6×1 tem provocado reação de parlamentares ligados ao setor produtivo, que defendem uma compensação fiscal para empresas. A principal articulação é pela retomada ou ampliação da desoneração da folha de pagamento, como forma de mitigar os impactos de uma eventual redução da jornada sem corte de salários.

Para integrantes de frentes parlamentares do comércio e da indústria, a mudança na legislação trabalhista exige contrapartida do Executivo. O deputado Domingos Sávio (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Comércio e Serviços, afirmou que a redução da jornada pode ser debatida, desde que acompanhada de alívio tributário. “Se o governo reduzir o que a empresa paga sobre a folha, ela pode diminuir as horas sem repassar custos ao consumidor”, disse.

O Ministério da Fazenda não comentou a proposta. A orientação da equipe econômica, porém, tem sido de reonerar gradualmente setores beneficiados por incentivos fiscais. Mesmo após a lei de 2024 que restabeleceu a cobrança previdenciária para parte dos segmentos, o governo ainda busca medidas adicionais para reforçar a arrecadação e cumprir metas fiscais.

O fim da escala 6×1 é tratado como prioridade pelo Planalto, que pretende votar o tema no primeiro semestre. Parlamentares do Centrão e da oposição admitem espaço para negociação, sobretudo diante do apelo popular da proposta em ano eleitoral.

Entidades empresariais, como a CNI, defendem que eventuais mudanças considerem diferenças regionais, porte das empresas e impacto sobre a competitividade. Especialistas alertam que ampliar a desoneração pode elevar a perda de arrecadação — hoje estimada em cerca de R$ 30 bilhões ao ano — e pressionar ainda mais o equilíbrio das contas públicas. O debate também reacende discussões sobre produtividade, já que o desempenho médio do trabalhador brasileiro equivale a cerca de um quarto do observado em economias como Estados Unidos e Alemanha.