O julgamento do serial killer de Alagoas, Albino dos Santos, segue nesta quinta-feira (13), em Maceió, com momentos de forte tensão. Durante sua fala aos jurados, o promotor de Justiça Antônio Vilas Boas classificou o réu como “um filme de terror que parece não ter fim” e relembrou a frieza com que ele planejava e executava os crimes.
“Temos aqui um réu confesso. O senhor já confessou quase todos os crimes pelos quais foi julgado. Eu não aguento até hoje olhar para a fisionomia desse homem. Isso é um filme de terror que parece que não tem fim. Ele se sentia o responsável por exterminar ou retirar do convívio social pessoas que, a seu ver, estavam envolvidas com tráfico de drogas. Ele estudava os hábitos das vítimas, as seguia pelas redes sociais. No celular dele, quando foi apreendido, foram encontrados calendários circulados com as datas em que matou as vítimas, além de fotografias dos túmulos delas. No dia seguinte, ele fazia recortes das matérias e guardava no celular”, afirmou o promotor.
Antônio Vilas Boas ressaltou ainda que o laudo médico-psiquiátrico atesta que Albino dos Santos possuía plena sanidade mental no momento dos crimes. “A psicopatia não é uma doença mental, é a ausência no cérebro de um sentimento humano. Ele não tem empatia pelo sofrimento alheio, não sente culpa. O laudo atesta sua inteira higidez mental, que ao tempo dos fatos ele era capaz. E agora ele diz que a médica psiquiatra foi induzida a erro”, completou.
Durante a sustentação, o promotor detalhou o crime em julgamento. Segundo ele, o filho de quatro anos dormia ao lado da mãe, Beatriz Henrique, por volta das três horas da madrugada, quando Albino invadiu a casa e efetuou os disparos. “Ele usava a arma do pai. A Polícia, que inicialmente suspeitou do pai, depois descartou a participação dele”, explicou.
O promotor também mostrou aos jurados imagens captadas por câmeras de vigilância que mostram o réu em deslocamento para cometer o crime, além de prints das fotos encontradas no celular de Albino. “Eu tenho que me tornar repetitivo. A linha de acusação é a mesma porque essa ladainha que ele conta aqui é a mesma. É um filme de terror que parece que não vai mais acabar. Esse é o quinto júri nessa vara e teremos mais um em janeiro. Ele está acumulando 126 anos de cadeia. Ainda que tenha progressão de regime, vai passar pelo menos 30 anos em regime fechado. Se a mim fosse permitido fazer perguntas, eu queria saber dele em que Deus ele acredita, qual é o Deus dele”, afirmou Vilas Boas.
Encerrando sua fala, o promotor reforçou o padrão de crueldade dos crimes cometidos por Albino dos Santos. “Ele só atira na cabeça. É característica dele. Quando decide matar, pesquisa os hábitos da vítima, vai ao encalço. E esta vítima de hoje não foge à regra”, disse, enquanto lia os laudos de exame cadavérico e de balística apresentados ao júri.







