O ex-ajudante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) Mauro Cid e o ex-major do Exército Ailton Barros discutiram, em dezembro de 2022, dar um golpe de Estado, diz Polícia Federal.
Presos em operação da Polícia Federal que apura um esquema de fraude em comprovantes de vacina contra covid-19, os oficiais da base do governo Bolsonaro tiveram uma conversa longa, gravada por áudio.
Ailton Barros falou para Cid propondo golpe. “O conceito da operação: entre hoje e amanhã, tem que continuar pressionando Freire Gomes [comandante do Exército] para que ele faça o que tem que fazer”, diz ele na mensagem de 15 de dezembro. “Se ele não aderir, quem tem que fazer esse pronunciamento é o Bolsonaro para levantar a moral da tropa, que está abalada em todo o Brasil”. “Estamos todos quase jogando a toalha”. “No agronegócio, caminhoneiros, meio empresarial, cidadão comum, estamos todos quase jogando a toalha”, diz. “Precisamos até amanhã fazer um pronunciamento, ou Freire Gomes, ou Bolsonaro. De preferência o Freire Gomes, porque aí vai ser tudo dentro das quatro linhas”.
Ele sugeriu prisão de Alexandre de Moraes e decreto de GLO. “Se for preciso, vai ser fora das quatro linhas”, continua. “Nos decretos e portarias assinadas, tem que ser dada a missão de prender o Alexandre de Moraes no domingo na casa dele, como ele faz com todo mundo. Na segunda-feira, assinar os decretos de Garantia da Lei e da Ordem e botar as Forças Armadas para agir, senão nunca mais vamos limpar o nome do Exército”.
O ex-militar pontua que seria necessário ter, até o dia seguinte, 16 de dezembro, pela tarde, “todos os atos, todos os decretos da ordem de operações” prontos.
“Pô (sic), não é difícil. O outro lado tem a caneta, nós temos a caneta e a força. Braço forte, mão amiga. Qual é o problema, entendeu? Quem está jogando fora das quatro linhas? Somos nós? Não somos nós. Então nós vamos ficar dentro das quatro linhas a tal ponto ou linha? Mas agora nós estamos o quê? Fadados a nem mais lançar. Vamos dar de passagem perdida?, indaga durante a conversa.
Além de Mauro Cid e Ailton Barros, mais quatro também foram presos na operação da PF, o sargento Luís Marcos dos Reis, os ex-assessores de Bolsonaro Max Guilherme Machado do Santos e Sérgio Rocha Cordeiro, e o secretário de Saúde de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha.
A investigação é se cartão de Bolsonaro foi fraudado para entrar nos Estados Unidos e contou com agentes que cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do ex-presidente.







