O papa Leão 14 condenou o uso da força militar para alcançar objetivos diplomáticos nesta sexta-feira (9), durante seu discurso anual para cerca de 184 embaixadores credenciados junto à Santa Sé, no qual também pediu a proteção dos palestinos e dos direitos humanos na Venezuela. O sumo pontífice, o primeiro nascido nos Estados Unidos, expressou preocupação com a fragilidade das organizações internacionais diante dos conflitos globais.
“Uma diplomacia que promove o diálogo e busca consenso entre as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força”, disse. “A guerra voltou à moda e o entusiasmo bélico se espalha. O princípio estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia o uso da força para violar fronteiras, foi quebrado.” Referindo-se à captura de Nicolás Maduro pelas forças dos EUA a mando do presidente Donald Trump no último sábado (3), o papa pediu aos governos que “respeitem a vontade” do povo venezuelano e protejam seus direitos humanos e civis.
Os comentários de Leão 14, que fazem parte do discurso conhecido como “estado do mundo”, marcaram o primeiro pronunciamento desse tipo desde sua eleição após a morte de Francisco, em abril do ano passado. Estavam presentes no evento tanto o embaixador dos EUA quanto o da Venezuela. Embora já tenha criticado algumas políticas de Trump, especialmente sobre imigração, o papa não mencionou o presidente dos EUA pelo nome no pronunciamento desta sexta-feira.
Leão 14 também comentou a violência crescente na Cisjordânia e a crise humanitária na Faixa de Gaza, reiterando que os palestinos têm o direito de viver em paz em sua “própria terra”. Ele também falou sobre a guerra na Ucrânia e a urgência de um cessar-fogo imediato.
“A paz já não é mais buscada como um presente e um bem desejável em si mesma, ao contrário, ela é buscada por meio das armas como condição para afirmar o próprio domínio”, afirmou. “Isso compromete gravemente o estado de direito, que é a base da convivência civil pacífica.”










