A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta sexta-feira (30) que, apesar da confirmação de dois casos do vírus Nipah na Índia, não há recomendação para restringir viagens ou comércio com o país. A entidade avaliou que o risco de disseminação internacional é baixo, mesmo com o governo indiano mantendo cerca de 110 pessoas em quarentena em meio ao novo surto.
Os dois casos foram registrados entre profissionais de saúde que passaram a ser tratados no início de janeiro. O Nipah é uma doença zoonótica, transmitida por animais como morcegos e porcos, e também pode ser passada entre humanos ou por alimentos contaminados. O vírus pode causar desde sintomas gripais até complicações graves, como encefalite, e não há vacina ou tratamento específico disponível.
Especialistas alertam que a doença é altamente agressiva ao sistema nervoso central, e a mortalidade pode chegar a 70% nos casos mais graves, quando há progressão rápida para coma e morte. Sobreviventes podem ficar com sequelas neurológicas duradouras. O diagnóstico é feito principalmente por exames como RT-PCR e testes de detecção de anticorpos.
Embora o Brasil e outros países da América Latina não tenham registros da doença, a OMS classifica o Nipah como vírus prioritário devido ao seu potencial de causar epidemias. O risco maior, segundo especialistas, permanece concentrado na Índia e países vizinhos, onde o hospedeiro principal, um tipo de morcego frugívoro, é encontrado, e há maior proximidade entre humanos e animais devido à perda de habitat.









