Mosquitos geneticamente modificados bloqueiam transmissão da malária, aponta estudo
Cientistas da Universidade da Califórnia, da Johns Hopkins University e do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP desenvolveram mosquitos geneticamente modificados capazes de impedir a transmissão da malária. O estudo, publicado nessa quinta-feira (4) na revista Nature, detalha como a alteração genética bloqueia o desenvolvimento do parasita Plasmodium falciparum dentro do inseto, evitando que a infecção chegue aos seres humanos.
A pesquisa concentrou-se no gene FREP1, essencial para que o parasita atravesse a parede intestinal do mosquito e alcance as glândulas salivares. Ao introduzir uma variante natural chamada FREP1Q em mosquitos Anopheles stephensi, os cientistas reduziram significativamente a taxa de infecção e a carga parasitária. Os testes também mostraram que a modificação não afetou a longevidade nem a capacidade reprodutiva dos insetos.
Para garantir a disseminação da variante genética, a equipe utilizou a técnica de gene drive, que aumenta a chance de herança da característica de 50% para quase 100%. Em apenas dez gerações, a presença da variante FREP1Q passou de 25% para mais de 90% da população de mosquitos analisada. Segundo o professor Rodrigo Malavazi Corder, do ICB/USP, essa estratégia pode se tornar uma alternativa sustentável, reduzindo a transmissão sem eliminar os insetos.
Apesar dos avanços, ainda não há evidências sobre a eficácia da técnica no Anopheles darlingi, principal vetor da malária no Brasil, especialmente na Amazônia. Pesquisadores já discutem a formação de grupos de estudo para investigar a aplicabilidade do método em espécies locais. A malária segue sendo um desafio global: em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou mais de 260 milhões de casos e cerca de 600 mil mortes pela doença.
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