O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia de fato solicitando a abertura de investigação contra o senador Sérgio Moro (PL-PR). O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das milícias digitais, com a solicitação de que as declarações recentes do parlamentar sejam apuradas e que ele passe a integrar o inquérito em andamento.
Na representação, Lindbergh afirma que a fala de Moro durante um evento de filiação ao PL reproduz uma estratégia de desinformação semelhante à que antecedeu os atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo o deputado, esse tipo de discurso volta a atacar o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas e a legitimidade do voto popular. “Reabrir essa narrativa é manter viva a ofensiva antidemocrática contra a soberania popular”, escreveu o petista no documento, que também pede manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Durante o evento, ao comentar a violência urbana no país, Moro afirmou que muitos brasileiros “têm medo de sair à rua” e não veem no presidente um aliado. No discurso, declarou que o chefe do Executivo “não é nosso, mas foi eleito entre aspas”. Em coletiva após a cerimônia, o senador manteve o tom crítico e afirmou que o presidente foi eleito “em cima de uma mentira” e que ele “nunca foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal”.
O debate remete às decisões do STF sobre os processos da Operação Lava Jato. Em março de 2021, a Segunda Turma da Corte concedeu habeas corpus ao presidente e reconheceu a parcialidade de Moro nos julgamentos. Meses depois, o plenário confirmou a decisão por 7 votos a 4, anulando as condenações e restabelecendo os direitos políticos do petista. Embora o tribunal tenha apontado irregularidades processuais, e não declarado formalmente inocência, as decisões abriram caminho para a candidatura presidencial de 2022.









