O governo Lula se prepara para uma ampla reformulação na Esplanada dos Ministérios diante do calendário eleitoral. O Planalto estima que até 24 ministros podem deixar seus cargos nos próximos meses para disputar as eleições, conforme exige a legislação, que determina a desincompatibilização até seis meses antes do pleito, prazo que se encerra em 4 de abril.
As mudanças devem começar pelo Ministério da Justiça. O ministro Ricardo Lewandowski comunicou ao presidente Lula, ainda no fim do ano passado, o desejo de deixar o cargo e pode oficializar a saída ainda nesta semana. Interlocutores apontam desgaste político, falta de apoio do Planalto e dificuldades de articulação com o Congresso, especialmente em temas como a PEC da Segurança Pública.
Outra saída considerada iminente é a do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que sinalizou ao governo a possibilidade de deixar o cargo até fevereiro. Haddad avalia atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula e também é cotado pelo PT para disputar o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado.
Com a eventual saída de Haddad, a tendência é que o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, assuma interinamente o comando da pasta. Lula retorna a Brasília já diante da necessidade de decidir substituições estratégicas no primeiro escalão, em meio ao impacto político e econômico dessas mudanças.
Além da Justiça e da Fazenda, o Planalto trabalha com a possível troca de ministros em outras pastas, como Casa Civil, Educação, Transportes, Meio Ambiente, Minas e Energia e Relações Institucionais, entre outras. A expectativa no governo é que a reforma ministerial seja escalonada, acompanhando o avanço das articulações eleitorais de 2026.












