Quatro meses antes do terremoto que abalou Maceió em 2018, desencadeando o recente desmoronamento de uma mina, a Braskem comunicou à Secretaria de Recursos Hídricos (Semarh) de Alagoas o fechamento de dois poços artesianos essenciais para a mineração de sal-gema. Documentos revelam que, em novembro de 2017, a empresa alertou sobre o colapso dos poços PW23 e PW27, situados a 686 e 343 metros, respectivamente, do epicentro do terremoto.
Apesar desse aviso prévio, não houve investigação sobre a situação dos poços antes ou depois do terremoto, segundo a assessoria de imprensa da Semarh, alegando que o colapso de poços não é incomum e não necessariamente relacionado aos eventos da mina da Braskem. Contudo, dois geólogos que estudaram a região afirmam que colapsos de poços em zonas de mineração urbana não são comuns, indicando que a informação deveria ter desencadeado uma investigação mais aprofundada.
Os dados revelam que a instabilidade no subsolo de Maceió aumentou desde 2011, com afundamentos significativos em 2017 e 2018. Um exame mais detalhado sobre as causas do fechamento dos poços poderia ter indicado que o solo estava se movendo, mesmo que o colapso iminente não fosse confirmado. A Braskem possui 31 poços na área das minas, e a Semarh não emite novas outorgas desde 2022.









