A classificação do aspartame pela Organização Mundial da Saúde (OMS) reacendeu debates sobre saúde, consumo e marketing de alimentos. Nas redes sociais, a reação foi imediata: produtos “diet” passaram a ser associados a risco, enquanto versões “zero açúcar” ganharam status de escolha mais saudável, sobretudo entre jovens.
Para gerações anteriores, como baby boomers e geração X, o termo “diet” representava disciplina alimentar e cuidado com o corpo. Para a geração Z, a palavra carrega um significado oposto: remete a práticas consideradas tóxicas, marcadas por restrições extremas, obsessão por calorias e padrões estéticos inalcançáveis difundidos nas décadas de 1990 e 2000.
A mudança de percepção também se reflete na cultura digital. No TikTok, viralizou a comparação da Diet Coke com um “cigarro de geladeira”: um consumo não associado à saúde, mas a um hábito estético e a um prazer culposo. O contraste com o marketing do “zero açúcar” é evidente: enquanto o “diet” sugere perda e privação, o “zero” comunica ausência de açúcar sem a ideia de punição alimentar.
A estratégia de mercado acompanha essa transformação. Produtos “zero” destacam a promessa de sabor semelhante ao original e adotam identidade visual mais agressiva e moderna, enquanto versões “diet” permanecem associadas a um perfil de consumo ligado ao emagrecimento e ao controle calórico.
Do ponto de vista científico, porém, o debate é mais complexo. Embora o aspartame esteja sob avaliação, fatores com evidências robustas de risco de câncer seguem sendo o tabagismo, a obesidade, o consumo de álcool e a ingestão frequente de carnes processadas. O contraste entre a percepção social e os dados científicos revela como o medo alimentar, impulsionado por redes sociais e estratégias de marketing, pode distorcer a compreensão dos riscos reais à saúde.









