13 de março de 2026
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Fraude no INSS persiste com uso de documentos falsos para justificar descontos indevidos

Aposentados e pensionistas que tentam contestar descontos indevidos no benefício do INSS têm enfrentado mais um obstáculo: documentos apresentados por associações com informações desencontradas. Em alguns casos, os registros trazem o CPF do beneficiário associado a nomes ou endereços de terceiros, o que levanta suspeitas sobre uso de dados falsificados.

 

A Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) é citada em algumas dessas denúncias. A advogada Ana Luiza Moura relata que sua mãe, de 80 anos, teve o valor do benefício reduzido pela entidade. Ao tentar cancelar a adesão, recebeu como resposta documentos que ligavam o CPF da idosa ao nome de outra pessoa. Um áudio também foi anexado, com uma voz feminina declarando adesão usando nome e CPF diferentes.

 

Casos semelhantes envolvem outros familiares de Ana. O sogro, de 84 anos, também teve descontos da Ambec, com apresentação de documentos nos mesmos moldes. A prática indica uma possível padronização na tentativa de justificar os débitos. O INSS ainda não comentou os casos específicos, mas o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, afirmou que a palavra do beneficiário deve prevalecer: “Temos um lado, e é o de defesa do aposentado.”

 

Segundo o INSS, já são mais de 3,2 milhões de processos abertos por conta de descontos questionados. Quando o cidadão informa não reconhecer o vínculo com determinada entidade, ela tem 15 dias úteis para apresentar justificativa. Em seguida, o beneficiário precisa responder em até 30 dias corridos, pela internet ou nos Correios. A ausência de resposta pode ser interpretada como concordância com a defesa da associação.