A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou ter acionado a Justiça Eleitoral contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) após um episódio controverso ocorrido na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Segundo Hilton, além de praticar racismo ao recorrer ao blackface durante sessão na última quarta-feira (18), Fabiana também teria cometido irregularidades ao se declarar parda nas eleições de 2022 para acessar recursos da cota racial.
De acordo com a denúncia, Fabiana Bolsonaro recebeu R$ 1.593,03 em verbas destinadas a candidaturas negras após se autodeclarar parda. Erika Hilton questiona a legitimidade dessa declaração e afirma que a parlamentar “enganou a Justiça Eleitoral” ao utilizar indevidamente o benefício. A deputada federal também acusou Fabiana de racismo e transfobia, citando o contexto e as falas proferidas durante a sessão.
O episódio ganhou ainda mais repercussão após Fabiana aparecer com o rosto e parte do corpo pintados de marrom no plenário da Alesp. A manifestação foi uma crítica direta à eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Durante o discurso, a deputada estadual afirmou que a escolha de uma mulher trans para o cargo “retira o espaço de fala de uma mulher”, declaração que gerou forte reação de parlamentares e nas redes sociais.
Em resposta, a defesa de Fabiana Bolsonaro negou qualquer irregularidade. O advogado Alberto Rollo afirmou que o registro eleitoral da deputada foi aprovado pela Justiça Eleitoral sem questionamentos em 2022. Ele também argumentou que Fabiana possui ascendência negra e indígena, o que legitimaria sua autodeclaração como parda. O caso agora deve ser analisado pelas autoridades competentes, ampliando o embate político e jurídico em torno do episódio.








