O futuro político da Venezuela permanece incerto após os ataques realizados pelos Estados Unidos e as declarações conflitantes sobre o paradeiro do presidente Nicolás Maduro. Diante do cenário de instabilidade, a oposição venezuelana voltou a afirmar que Edmundo González Urrutia, político exilado na Espanha, é o presidente legítimo do país, o que amplia a disputa pelo poder em meio à crise.
Pela Constituição venezuelana, em caso de “ausência absoluta” do presidente, prevista no artigo 233, o comando do país deve ser assumido pela vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez. Nesse cenário, caberia a ela convocar novas eleições no prazo de até 30 dias, com o presidente eleito cumprindo um mandato completo de seis anos. Apesar disso, Delcy afirmou que o governo não sabe onde estão Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, o que aumenta as incertezas institucionais.
A oposição vê o momento como uma oportunidade decisiva para uma mudança de regime. Edmundo González, candidato oposicionista nas eleições de 2024, é apontado como principal nome para liderar uma eventual transição. Ele conta com o apoio da líder democrática María Corina Machado, vencedora recente do Prêmio Nobel da Paz, que defende uma “transição ordenada e pacífica” e afirma ter respaldo de parte significativa das forças de segurança.
Outro cenário possível envolve uma reação militar. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declarou que a Venezuela resistirá à presença de tropas estrangeiras e classificou a ação dos Estados Unidos como a maior afronta já sofrida pelo país. A postura das Forças Armadas será determinante para definir se o país seguirá um caminho constitucional, uma transição política negociada ou um agravamento do conflito interno.






