26 de março de 2026
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Do Avante ao PT: Marcos Barbosa se filia ao Partido dos Trabalhadores em Alagoas

A possível entrada de Marcos Barbosa na federação formada por Partido dos Trabalhadores, PCdoB e Partido Verde vai além de uma simples articulação de bastidores. O movimento expõe uma mudança mais profunda: a adaptação de um partido historicamente ligado às lutas sociais à lógica pragmática do mercado político.

Atualmente filiado ao Avante, Barbosa busca espaço em uma chapa que, segundo relatos, já enfrenta resistências internas por razões eleitorais e ideológicas. O ponto central, porém, não é apenas o nome, mas o simbolismo. Ao abrir espaço para figuras sem trajetória vinculada às suas bandeiras, o PT sinaliza à militância que a coerência pode estar sendo substituída por cálculos de sobrevivência política.

Em Alagoas, esse cenário se intensifica. O partido que já se apresentou como instrumento de transformação social passa a ser alvo de críticas, inclusive de setores da própria base, por priorizar acomodações em vez de enfrentamentos políticos. A federação, nesse contexto, corre o risco de deixar de ser um projeto coletivo para se tornar apenas um arranjo eleitoral.

O movimento também desencadeia reconfigurações em outras siglas. Nomes como Silvio Camelo e Léo Loureiro articulam saída para o PDT, ligado ao grupo de Ronaldo Lessa. A estratégia inclui a formação de uma chapa considerada competitiva para a Assembleia Legislativa, com a possível participação do próprio vice-governador.

Nos bastidores, a avaliação é de que a federação teria hoje espaço restrito para reeleição, com poucos nomes viáveis, entre eles o próprio Marcos Barbosa e outro aliado. O quadro reforça a percepção de que o foco deixou de ser a construção política ampla para se concentrar na manutenção de mandatos.

Nesse contexto, o dilema do PT em Alagoas parece claro: não faltam alianças ou articulações. O que está em disputa é a própria identidade política do partido.