9 de fevereiro de 2026
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Disputa entre EUA, UE e China por terras raras do Brasil ganha força

A corrida global pelos depósitos de terras raras do Brasil vem se intensificando em meio ao aumento das tensões comerciais e à busca por segurança no fornecimento de minerais estratégicos. Estados Unidos, União Europeia e China disputam acesso às reservas brasileiras, consideradas as segundas maiores do mundo e essenciais para tecnologias do século 21, como carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.

As jazidas brasileiras estão no radar de Washington e Bruxelas, que tentam reduzir a dependência da China, hoje líder mundial na produção e no controle da cadeia desses minerais críticos. No mês passado, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou negociações para um acordo com o Brasil voltado a investimentos conjuntos em matérias-primas estratégicas.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) deve realizar, no próximo mês, um evento no qual investidores ligados à União Europeia devem anunciar apoio financeiro a cinco projetos de mineração no país, envolvendo terras raras, níquel, lítio e manganês.

O avanço europeu ocorre em paralelo ao interesse dos Estados Unidos. Segundo fontes com conhecimento das tratativas, autoridades e representantes do setor já receberam sinalizações claras, em conversas reservadas, sobre o interesse norte-americano em acessar os depósitos brasileiros, muitos deles ainda pouco explorados.

Levantamento do Financial Times aponta que projetos de terras raras no Brasil captaram cerca de US$ 700 milhões em financiamentos, entre capital próprio e dívida, nos últimos dois anos, a maior parte oriunda de fontes ocidentais. Entre os investidores estão o grupo Hochschild, listado na Bolsa de Londres, além de investidores privados e pessoas de alto patrimônio. Bancos de fomento à exportação da Austrália, França, Estados Unidos e Canadá também demonstraram interesse em apoiar financeiramente os projetos.