A implantação do novo sistema digital de transferência de veículos no Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran-AL) tem gerado grande repercussão no estado. O que seria um avanço para agilizar o serviço virou alvo de suspeitas sobre possível direcionamento e concentração de mercado.
Um dos principais pontos de dúvida é a rapidez da implementação. O contrato teria sido assinado em 11 de fevereiro e, quatro dias úteis depois, o sistema já estaria pronto e funcionando. Especialistas consideram o prazo incompatível com a complexidade do projeto, o que levantou questionamentos sobre possível definição prévia da empresa responsável.
Também há críticas ao modelo adotado. O projeto teria sido estruturado por meio de termo firmado com o sindicato da categoria, o que gerou debate sobre possível concentração de poder. Denúncias apontam que a operacionalização estaria ligada à direção da entidade e que haveria exigências para atuação no sistema. O acesso à plataforma estaria restrito a despachantes, impedindo que o próprio cidadão faça a transferência do veículo, como ocorre em outros estados.
Há ainda relatos de fechamento do atendimento presencial sem ato oficial publicado e de cobranças de cerca de R$ 80 por processo, sem clareza sobre a base legal. Com estimativa de arrecadação que pode chegar a R$ 120 milhões em cinco anos, o caso pode ser analisado por órgãos de controle. A discussão agora é se a medida representa modernização ou se criou um modelo que limita a concorrência e os direitos do cidadão.









