Um projeto de lei apresentado pela deputada Cibele Moura na Assembleia Legislativa de Alagoas propõe a criação de um programa inédito voltado à saúde mental de pessoas diagnosticadas com Doença Celíaca no estado. A iniciativa busca ampliar o cuidado oferecido pelo sistema público, incluindo suporte psicológico e acompanhamento multiprofissional como parte do tratamento integral desses pacientes.
O Programa Estadual de Saúde Mental para Pacientes Celíacos visa, principalmente, promover atenção contínua à saúde emocional e psicológica desse público, reconhecendo que a condição — caracterizada pela intolerância permanente ao glúten — pode trazer impactos que vão além das limitações alimentares.
O projeto prevê a integração das ações à rede pública estadual de saúde, respeitando as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e priorizando a descentralização dos serviços nos municípios.
Entre as diretrizes estabelecidas estão a garantia de atendimento psicológico, tanto presencial quanto remoto, e a capacitação de profissionais das áreas de psicologia, psiquiatria, nutrição e enfermagem para identificar precocemente sinais de sofrimento psíquico.
A proposta também inclui campanhas de conscientização sobre os efeitos emocionais da Doença Celíaca, além da criação de grupos de apoio e rodas de conversa em unidades como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), hospitais e policlínicas.
Outro ponto destacado é a inclusão de protocolos clínicos específicos para o acompanhamento psicológico e psiquiátrico desses pacientes, fortalecendo a linha de cuidado dentro da rede pública. O projeto ainda prevê a oferta de atendimento online por meio de plataforma digital gratuita e acessível, com possibilidade de integração ao sistema estadual “Alagoas Inteligente”, ampliando o alcance dos serviços.
A execução do programa poderá ocorrer de forma articulada com diferentes órgãos e instituições. A proposta ainda abre espaço para o desenvolvimento de estratégias intersetoriais que contribuam para o diagnóstico precoce da doença, a prevenção de transtornos mentais associados e o acompanhamento contínuo dos pacientes.
“A Doença Celíaca é uma condição autoimune e o tratamento exige restrição alimentar absoluta e permanente, o que impacta profundamente a rotina e o bem-estar emocional dos pacientes. Estudos científicos evidenciam que pacientes celíacos têm maior predisposição a desenvolver transtornos de ansiedade, depressão, fobias sociais, distúrbios alimentares e sintomas de isolamento. A adesão a uma dieta restrita, o medo constante de contaminação e a falta de compreensão social contribuem para sentimentos de exclusão e sofrimento psíquico. Dessa forma, o tratamento da Doença Celíaca não deve ser compreendido apenas sob o aspecto nutricional, mas também como uma questão de saúde mental e qualidade de vida”, explicou Cibele Moura.
Para a deputada estadual, caso aprovado, o projeto poderá representar um avanço na abordagem da Doença Celíaca em Alagoas, ao reconhecer a importância da saúde mental no tratamento e na qualidade de vida dos pacientes.







